miércoles, 8 de abril de 2009

Um pouco sobre tudo ou tudo sobre um pouco?



Eu tinha 14 anos, usava aparelho nos dentes e me achava super adulta. Mas garanto que ninguém ia se espantar se eu chegasse com uma lancheirinha no meu primeiro dia de estágio. Eu era realmente muito novinha, e dessa vez o objetivo era só conhecer melhor uma agência de publicidade.

Fui lá, vi e gostei. Decidi: design gráfico no vestiba. Saí do terceirão e já fui direto pra sala de aula de manhã. E pra uma salinha fazer estágio na Imaginarium à tarde. Eu tinha 17.

No meio da faculdade eu e uns amigos pegamos alguns trabalhos, era quase uma agência. Todo mundo pegando junto, inclusive na hora de levar esporro do cliente porque a gráfica não entregou no prazo.

Um dia tavam fazendo seleção pra trainee numa agência legal e fui ver qual era. Foram mais de 200 inscritos, e lá tava eu selecionada pra função de diretora de arte. Ou seja, ia cuidar da parte gráfica dos anúncios publicitários, enquanto minha dupla fazia os textos.

Esse não foi o único estágio como diretora de arte. O próximo foi em Porto Alegre, numa agência mega que me deixou assustada e que me fazia chorar de medo de ser inexperiente demais. Fiquei três meses.

Consegui mais um estágio em agência, dessa vez aprendendo também a parte de finalização.

Fui pra São Paulo, consegui um estágio na Revista da MTV e fiz de tudo um pouco. Saí pra rua entrevistando anônimos, liguei pra famosos perguntando sobre temas polêmicos e virei noites digitando a gravação de uma entrevista do Rodolfo, ex-Raimundos.

De volta a Floripa me convenceram que meu texto era bom. Virei redatora. Passei pouco tempo na primeira agência, me formei em design gráfico e uns meses depois fui convidada pra escrever e gerenciar o site da Imaginarium, que na época tava lançando uma comunidade tipo Orkut só pra clientes da marca. Era o máximo, uma baita ferramenta de marketing interessante, inovadora e blablablá. Eu escrevia, gerenciava e editava textos, cuidava da parte promocional e tudo mais ligado ao site. Mas depois de um ano o projeto tomou outros caminhos, e eu decidi tomar o meu.

Também já revisei um livro. E fui redatora em outra agência onde fiquei pouco mais de um ano. Depois arranjei um trabalho mais comercial, mas sempre na área de comunicação. Voltei pra Imaginarium escrevendo sobre produtos e comecei a fazer pesquisa de tendências, mais um ano. Saí pra organizar a viagem pra Europa, mas antes organizei alguns eventos, como um show da Cachorro Grande.

Nem comentei, mas no meio de tudo isso passei uns dias em Nova Iorque, fui de Floripa ao Rio de carro e passei um mês mochilando pela Europa. Tive um namoro que durou 8 anos e virou casamento, separei, arrumei um outro namorado e depois encontrei o Viti, que balançou meu coração e me fez jogar tudo pelos ares.

Juntos, passamos seis meses na Europa, onde eu fiz uma pós em coolhunting. E depois conheci outras culturas, outros mundos, outras línguas. Aliás, me viro bem em inglês, espanhol e até arrisco um francês.

Também sou meio nerd, amo, amo e amo entender novos programas de computador. Encontro qualquer coisa na internet, e digito rapidinho. Faço umas animações básicas em Flash, edito filminhos bobos e não tenho vergonha da câmera.

Tudo bem que tenho um segredinho vergonhoso, tenho pavoooor de telefone, mas será que é só por isso que não consigo arrumar uma profissão pra chamar de minha? Ou será que sou exigente demais, e tô procurando uma profissão encantada quando deveria estar acostumada com a idéia de engolir sapos?

Não agüento mais esse papo de que “o profissional do futuro vai ter que saber de tudo, precisa estar em todos os lugares e ter vários tipos de experiência”! Será que o futuro ainda não chegou aqui em Florianópolis? Porque só o que eu vejo são empresas precisando de um profissional específico, que fez a mesma coisa desde o dia em que começou a trabalhar até hoje, e logicamente por isso tem toda a manha pra lidar com determinado tipo de problema. Mas quando o problema sai um pouquinho do mundo conhecido, vem o desespero.

Eu preciso de um lugar que aproveite meu potencial, preciso de algo que me estimule e deixe feliz, que tenha espaço pra minha vontade de ser útil e fazer algo bem feito. E é por isso que cada vez mais me convenço que tá na hora de colocar mais uma aptidão na minha listinha: coragem pra inventar um negócio próprio. E fazer rolar.

Ah, já contei que faço uma lasanha bem gostosa?

4 comentarios:

Mostrini dijo...

ahaahahahah!
de tudo eu to sabendo, só não dessa lasagna aí que tu nunca me convidou pra saborear!
nina, como tá o prédio e os "guris"? cara, que saudade de vcs, como a gente vai fazer?? vcs vem nos visitar logo?
de nada sei sobre o rumo do meu futuro profissional e esse post me deu um medinho!
só sei que sentimos falta de vcs! =(

Anónimo dijo...

super-nina own business!!!! gostei!!!! senti firmesa!!! apòio total!!! concordo plenamente que ninguèm vai dar o devido valor a vc que vc mesma!! esses sao meus planos para o futuro tbm, a nao ser que algo caia muuuuito bem pra mim.. mas a minha historia è bem parecida com a tua, força de vontade e talento nào faltam.., talvez falte ainda um pouco de "sorte".. :p
paulinha :)

marcia dijo...

Nina, adorei o relato sucinto da tua vida, como tu escreve bem e com clareza, parabéns...
e hoje me dei conta que aquele folder maravilhoso que tu fez está acabando, preciso de algo novo que mostre toda a nossa vontade de arquitetar conectadas com o planeta, quase respirando a criatividade , tentando sintonia com tudo e todos a volta, ai, será que tu podes me ajudar? foi muito muito legal ter o site e o folder e todos os nosso materiais, preciso dar uma cara nova, mais contemporanea,etc... me responde no email
um beijo
marcia

Unknown dijo...

Oi Mari, é a Shai, primeira vez que eu entro no site. Adorei o texto e conhecer um poco mais da tua história profissional. Eu já sabia que deverias ser boa no que tu faz, mas não sabia exatamente a trajetória. Imagino que tenhas tido mais um milhão de experiências maravilhosas e que tens talento e inteligência, intuição pra abrir alguma coisa muito legal. Qualquer que seja a tua invenção, vai fundo que tem tudo pra dar certo.
beijao