
Já comentei que não gostei do filme Desafinados, e sofro de estar justamente falando mais sobre ele, mas tenho que fazer justiça: teve uma cena que me tocou profundamente.
Foi quando o Rodrigo Santoro, casado e com uma filha, recebeu a visita de uma ex-amante. Desesperado, se abre com um amigo: "o que eu faço? Eu amo uma, mas sou apaixonado pela outra!"
Eu já vivi isso, provavelmente você também, e senti na mão do Viti que ele também lembrou o nosso passado.
Não que fosse segredo pra qualquer um de nós. Quando a gente se interessou um pelo outro, eu tava com o Bruno, ele com a Moça. Logo terminamos com eles, mas o drama continua sempre presente na nossa relação. E nunca esqueci de uma frase que ele disse, a gente deitado no que na época era a minha (e só minha) cama: "não é bizarro isso de a gente tentar ficar junto? Parece que nunca vamos encontrar alguém pra valer. Alguma relação tua já deu certo?"
Se a gente se apaixonou uma vez, por que não podemos nos apaixonar uma segunda, ou uma terceira?
Ele vê uma loirona gostosa passando e se desconserta, mas será que tem como continuar sensibilizado com a bunda que vê todo dia? Claro, se ele for atrás do corpinho logo pode descobrir que é simpática, gosta de Jimmy Hendrix, mas tem mau hálito, não é parceira pra comer sushi e odeia dormir de conchinha.
Se a gente se abre pra outras histórias, vai descobrir mil coisas, boas e ruins. E tem um lado do ser humano, não vamos ser hipócritas, que tem sede de novas paixões.
Mas tem outro que quer semear algo mais profundo. Que gosta de intimidade, companheirismo. "Olha que desenho lindo ele fez hoje! Muito mais interessante do que o de ontem!" "Lembra aquele dia, nós dois no meio de um sambinha num boteco da Lapa?"
E tem algo mais gostoso do que reconhecer nosso cheirinho na cama? Talvez perceber como a gente cresceu desde que estamos juntos, ou dar um beijo bem gostoso.
É complicado, escolher uma opção sempre significa deixar outra de lado. E dá medo de se entregar com tantos poréns. Quem não tem?
E se aquela amiga um dia resolve dar um beijo e isso vira algo mais? E se eu tomar uma cerveja e achar um outro cara o máximo?
Isso é tão humano, tão possível!
E chego a uma conclusão meio mórbida: assim como a gente tem que conviver com a idéia de que um dia vamos morrer, e justamente por isso temos que aproveitar tudo o que é possível em vida, é preciso também se acostumar com o fato de que o amor pode acabar. Ou não.
E nada mais coerente do que ser muito feliz enquanto o amor está vivo! Será que não seria essa a fórmula do amor eterno?
Ainda bem que eu e o Viti estamos gostando da experiência.


6 comentarios:
ai que post fofo!
nozes aqui 5 ANOS colados! pode?
tanta historia.
identifiquei bastantao!
beijocas e boun natale!
paulinha (da italy)
A possibilidade de se apaixonar anda lado a lado com a possibilidade de acordar.
E os relacionamentos que tivemos deram certo, afinal, "naquele" momento estávamos felizes, esfomeados de algo.
Se durou um dia, deu certo. Deu certo aquele dia.
Uma vez Gabriel García Márquez falou: "O caroção tem mais quartos que uma pensão de putas".
E o Renan quis dizer "coração". haha
depende do coraçao! - eu diria pro Gabriel...
É, depende da pensão também né - diria Gabriel a Viti... rs
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