miércoles, 22 de octubre de 2008

Dando a cara a tapas (mas podem vir beijinhos também)

Você e mais pelo menos 30 pessoas vão ler o que está escrito aqui. Hoje. Pelo menos é o que diz o meu contador de páginas.

E não é normal eu me questionar se estou me expondo demais? Por que faço isso? Qual a minha motivação? E será que interessa a alguém saber o que se passa com um casal normal em Barcelona? Os medos, as dúvidas, as dificuldades, mas também as empolgações, as conquistas e as novidades?

O assunto tá rolando na minha cabeça há um tempo. Esses dias peguei pra ler uma revista de tendências grátis que se encontram aos montes por aqui. Era a número 88 da Revista El Duende , e o tema era exibicionismo, num trocadilho interessante: “exhibiyomismo”*.

Hoje na aula o tema voltou: falávamos sobre o significado de “cool”, que até agora continua confuso. Pra mim parece uma coisa muito subjetiva, muito cada um gosta do que gosta porque tem uma vivência única. Como definir algo que seja bom para todos? E será que todo mundo não quer ser “cool”, ao menos no seu círculo social? Por que colocamos esta ou aquela roupa? Mesmo vestindo algo básico, o objetivo não é passar uma imagem? Não queremos ser aprovados, amados, queridos?

Por que praticamente todas as pessoas que peço pra fotografar sempre adoram? Não é isso que no fundo elas querem, uma aprovação? Será que alguém se veste só pra si? E fala, e age, e vive só pra si?

Saí da aula pensando mais e mais coisas sobre tudo isso. Primeiro, acho que falei demais, que falo demais sempre. Às vezes justifico pra mim mesma que sou muito mais feliz assim do que quando passava os recreios sozinha no colégio e a professora colocava no boletim: “a Marina é uma ótima aluna, mas não consegue se comunicar, não tem amigos, não sai da sala”. Isso era melhor?

Agora eu boto a cara pra bater, mas sinto que posso ser julgada. Sei que algumas pessoas (muitas que eu adoro, e que sei que me adoram) comentam que foi ridículo eu ter casado pra me separar um ano depois, que visto saias curtas demais ou que é exibicionismo mostrar minha felicidade de me desapegar da cultura e ficar pelada na praia. E mais: botar isso na internet! Hoje uma menina do meu curso falou algo do tipo: “tem muita gente que usa o Orkut de uma maneira ruim, se expõe muito e tal”. Glup!

Mas será que isso é ruim? Sim, eu tenho, e muita, necessidade de ser querida, de ser amada, de que gostem disso que estou escrevendo. Se estou preparada pra ser julgada? Difícil responder. Mas acho que eu gostaria de ver comentários aqui, mesmo que sejam críticas e sugestões pra melhorar.

E quer saber? Tenho que confessar: se eu tivesse escrevendo esse diário no meu caderninho amarelo, não teria a mesma graça. Gosto de pensar que meus amigos estão lendo, sentindo, vibrando, que se sintam estimulados a mudar, a vir pra cá. Ou a ficar aí, na segurança, tranqüilinhos, fazendo uma vida gostosa, confortável, crescendo no trabalho e vendo como é bom estar seguro e não nessa nóia atrás de documentos.

Bom, por enquanto, posso dizer que me dá prazer escrever aqui. Você tem prazer em ler? Então que bom! Vamos em frente? Se enjoar, sites bacanas não faltam pela web. E disso eu entendo, porque fuxico vários.
______

*Vale clicar no link da revista e dar uma lida nos textos. As fotos desse post são de lá. Mira o conceito: “tenemos que querernos, por dentro y por fuera, eso es sano, pero el culto a la propia personalidad a veces raya lo exagerado. Si en un diccionario cupiese el exhibiyomismo sería algo así como ‘tendencia a querer ser el ombligo del mundo, con piercing incluido'”.

7 comentarios:

marcia dijo...

NINA, ADORO VER TEU BLOG, SINTO MUITAS COISAS PARECIDAS CONTIGO, MAS COMO É BOM QUANDO A GENTE SE COMUNICA, APROVEM OU NÃO, AS DIFERENÇAS FAZEM O MUNDO MAIS RICO, E CADA VEZ MAIS TENTO NÃO JULGAR É DIFÍCIL PRA BURRO, POIS HÁBITO LEVA TEMPO PRA MUDAR, MAS VALE A PENA,
GURIA, CONTINUA QUE A PLATÉIA QUER MAIS
BJO
MARCIA

Anónimo dijo...

magda digo...
Ninoca,
que bom que temos teu blog para que a gente possa curtir com vocês todas as coisas boas ,sentimentos,lugares que estão curtindo por aí.
que bom poder se expor para quem quiser ler e saber o que rola por ai. quem não quiser que não leia,
não é mesmo?
como diz a márcia no comentário a platéia quer mais e deseja muita sorte no dia de hoje para vocês.
mil beijos
mãe
P.S. A vida é uma só e passa rapidinho. Não te grila com o que os outros vão pensar. Vai fundo
gurrrriiiaaaa ... parabéns pelo teu blog.

Unknown dijo...

eu leio este blog todos os dias e recomendo!
;P

é engraçado pensar em quantas vezes nao fiz alguma coisa que eu queria porque estava com medo do hipotetico julgamento de pessoas cujas opinioes a respeito de qualquer outra coisa (que nao fosse eu) me eram indiferentes. algo assim como "eu nao ligo pro que esse fulando pensa sobre politica, arte ou filosofia, é bobagem... mas achar que ele pode estar pensando que minha camisa é ridicula, me deixa tenso..."

Anónimo dijo...

Pen...quero que saibas que não acho que tu te expõe de mais não, não acho que és ridícula por causa daquela história do teu casamento, acho que tudo que aconteceu e acontece não é ser ridícula, isso é viver essa é a tua história e ninguém tem que julgar as tuas atitudes, que não prejudicam ninguém que não ofendem ninguém...te adoro muito sinto muito a tua falta, tu és a minha amiga querida e amada... muitos beijos Cibi

Anónimo dijo...

Nina,

adoro ler seu blog. coloquei no favoritos do meu computador (finalmente com net!) lá de casa =) De vez em quando eu e a Cibi comentamos algo que vimos...está sendo muito divertido.

Andres: pode assumir sua verdadeira identidade de sobrinho do Freddie Mercury. Ninguém vai te julgar. :p

http://thefan.srcom.info/queen/images/Freddie-01.jpg
http://www.taylorettesheaven.de/Freddiebilder/70er/FreddieMercury23.jpg

bjos, babi. =)

Ty dijo...

Oi, Nina. Eu fui no teu aniversário uns anos atrás - antes até da Imaginarium - e já olhava o teu outro blog (pq sou curiosa e pq é suuuuper bem escrito). Aí ontem fui ver o Andres lá na Gas, e não sei daonde cheguei nesse blog novo e fiquei mais curiosa ainda. HOJE, 21/nov, comecei a ler lááááá do primeiro post (alguns só olhei, mas a maioria tô lendo mesmo). E acho o máximo alguém escrever um bRógui sobre a vida e a sorte fora do conforto de tudo o que é conhecido... ó: morri de inveja (da boa, tá?), que nem qdo o Andres disse que ia pra Espanha ano que vem - e ainda era segredo..shhh! Fico superinspirada a fazer o mesmo! E cada vez mais me pergunto "pq não?"
Muito de tudo de bom e continua sim dando a cara a tapa. Adoro seus blogs. E mando beijo.

Bruno Boesche Neto dijo...

Eu acho que não se vive só para si. Mas eu acho também que não importa o quanto tu fala na aula ou fica sozinho no recreio comendo um sanduíche meio doce meio salgado que a mãe fez. Às vezes entramos nessas questões temendo que nos julguem de um modo e desejando que nos julguem de outro, mas é provável que o mundo não esteja nos dando tanta atenção. É um pouco frustrante não ter toda atenção que queremos, e talvez ser cool amenize isso um pouco (o andres usa camisetas cool e pode falar mais sobre isso), mas é mais livre não julgar os outros como nossos juízes.

Um blog que faz pensar é sempre um bom blog.
beijos, saudades