A princípio, Auschwitz era pra ser mais um espaço pra priosioneiros judeus, polacos e ciganos. Mas, pela facilidade de transporte e discrição do lugar, foi crescendo. Logo em seguida construíram uma segunda parte, Birkenau. Esses dois espaços, que visitamos ontem, foram juntos o maior lugar de extermínio de judeus durante o Holocausto. A estimativa é que cerca de 1,5 milhões de pessoas morreram lá. A maioria queimadas em fornos, muitas outras de fome e fadiga.
Os prisioneiros vinham em trens onde passavam dias ou semanas em vagões lotados, e a seleção das pessoas era feita imediatamente na chegada. Homens ou mulheres mais fortinhos, aptos para o trabalho escravo, iam pros alojamentos. Crianças, mulheres e pessoas fragilizadas, direto pro chuveiro da morte.
O papo era mais ou menos o seguinte: "agora que vocês chegaram, devem estar cansados, então podem tomar um banho. Tirem as roupas, entrem naquele banheiro e logo o chuveiro vai ser ligado". Todos entravam (quem não quer um banho depois de uma longa viagem?), as portas eram fechadas e o gás Zicklon começava a sair pelos canos. Todos berravam, tentavam subir pelas paredes, faziam o que podiam. Mas depois de vinte minutos os cadáveres estavam todos no chão e os guardas nazistas entravam pra tirar os dentes de ouro, recolher os cadáveres e queimar os ossos.
Tudo muito organizado. Sistema de produção em massa com logística perfeita.
Quem tinha a sorte de ficar vivo nos campos tinha que aprender a conviver com ratos, dividir beliches mínimos com mais uma pessoa, passar frio, fome e trabalhar de um jeito insano. Logo adiante provavelmente morreria, claro.
Crianças gêmeas e anões tinham até certa sorte: eram usados pra experiências genéticas pelo Dr. Mengele, o famoso (diz a lenda que no fim da guerra fugiu para o Brasil). Em algumas outras injetavam malária, faziam passar fome, tiravam pedaços da pele e todos os tipos de pesquisa muito úteis à população.
Tinha aqueles que vinham jurando que estavam no paraíso. Eram os judeus da Grécia e Itália, que compravam terrenos em lugares maravilhosos empurrados pelos nazistas. E chegavam em Auschwitz...
Como se pode imaginar, especialmente nesses casos, eles traziam o melhor dos seus pertences pessoais. E tudo era aproveitado pelo Reich, junto com dentes de ouro, carrinhos de bebês, roupas, sapatos, pincéis de barba e até (pasmem!) cabelos de mulheres presas, que eram cortados e se transformavam em colchões e tecidos.
Tudo isso lá exposto, pra gente ver e sentir. Sabe o que é ver aqueles cabelos e imaginar que foram cortados de alguém? E que, se não estivessem ali, estariam na cama de outra pessoa? E imaginar que aquelas roupinhas de crianças foram tiradas de alguém que foi direto pra câmera de gás?
Eu sei, sei que é horrível e que muita gente deve estar se perguntando: "mas isso é turismo?" Não sei exatamente porque, mas sei que preciso ver isso. Parece que me faz sentir mais viva, que me faz entender um pouco do mundo.
Saber que o Viti é descendente de polonês me fez ficar arrepiada quando li na parede uma frase nazista: "precisamos limpar a Alemanha dos judeus, polacos e ciganos".
"O trabalho liberta". Grande recepção!

Escovas e pincéis de barbear

É melhor não tentar fugir (mas... de 700 que tentaram, cerca de 300 conseguiram!)
A neve entra fácil.
Monumento

Assim eram os barracões masculinos por fora

Os femininos

E assim por dentro

PS: Pra saber os detalhes de tudo e ler algo maravilhoso, recomendo o livro Maus, do Art Spiegelman. Um dos livros mais interessantes que já li! Detalhe: é uma história em quadrinhos.


1 comentario:
mto interessante essa perspectiva! importante nao ter medo da nossa curiosidade natural e mto menos vergonha de admitir querer ir fundo nas questoes para entende-las melhor! demonstracao de inteligencia e bastante preparo para o mundo!
(nossa paguei mò pau pra ti agora heim, hehehe)
bacione ninys
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