lunes, 29 de diciembre de 2008

Tensão



Eu, meus pais, o Viti, meu tio Ronaldo, a Quila, o Rafa, a Beta, todos dentro de um carro indo pra Praia Mole. Estávamos na Lagoa, passando pela frente do posto BR, e o Viti decidiu ir de bike pra se livrar do terrível engarrafamento. Eu e a mãe gostamos da idéia, e fomos correndo pra gastar umas calorias.

Chegando na pracinha, baita confusão, gente atrolhada por tudo... e de repente, um ônibus de turismo voa pra lagoa. Berros, gritos, confusão, e outro ônibus cai na lagoa. "Cuidado, mãe, esse tá vindo na nossa direção!" E plof, cai um outro ônibus na nossa frente, perto da pracinha.

Logo entendemos o que estava acontecendo: os nativos, de saco cheio de tanto gaúcho e paulista, pegavam os ônibus no maior estilo mosh, mas ao invés de jogar pra galera, atiravam na lagoa ou onde fosse mais fácil se livrar dos turistas.

Desesperadas, só pensamos em salvar quem a gente ama. Liguei pro Viti, que já tava pelo meio das Rendeiras, e implorei pra ele não falar nada enquanto estivesse surfando. Se escutassem o sotaque, sem dúvida ele seria linchado. Ligamos pro pai, e avisamos pra ele não seguir adiante.

A confusão continuava, e no meio da história parece que os nativos pegaram uns tubarões. Meu pai contribuiu com o povo que se achava dono do lugar, e comprou alguns. Eu, desesperada, só pensava que ele ia ser preso, que tinha tomado partido.

E nada de o Viti chegar. E eu olhava as Rendeiras, e nada. Que tensão!

Foi só abrir os olhos e ver que eu estava na cama e fiquei um pouco mais calma. Mas não tanto. Porque essa tensão existe, e tá por aí, por aqui e em todo lugar.

Alguém pode me explicar o que são aquelas bombas na Faixa de Gaza? Uma semana, 300 mortos. Naquelas áreas que ninguém sabe onde é, ninguém tem controle... e de repente, numa tacada, morre o dobro dos mortos pela chuva em Santa Catarina. E tá na cara que o número só vai aumentar. (Será que algum dos mortos é parente das meninas israelenses que conheci em Berlin?)

E aqui em Barcelona, o que fazer com tanto imigrante? Jogar pro mar? Negar trabalho? Proclamar "fora guiris"?

Temos dinheiro pra mais um mês aqui. Depois temos que pagar três meses de aluguel adiantado, e não sobra pra nada. Pensamos em pegar o que nos resta e desistir do curso, dessa cidade cara, de ter um canto fixo e nos jogar pela Europa até a grana acabar. Porque ela vai acabar, isso é certo. Será que é melhor continuar tentando um emprego e gastar aqui parados? Ou será que aproveitamos melhor esse dinheiro que seria pro aluguel e vivemos um pouco a Europa e depois voltamos pro Brasil?

Como eu tava falando, a tensão existe. Na Palestina, em Floripa e aqui também.

2 comentarios:

Anónimo dijo...

só pra acalmar as pessoas... não sou eu ali na foto, viu mãe!?

Anónimo dijo...

è foda nina.
tem que ter muita paciencia. eu ja penso que pra ter uma vida tranquila num lugar que se escolhe è sò apòs 1 ano e là vai coisa.. tem todo um passo-a-passo. a gente tbm sofre com isso, è por isso que tem que querer MUITO. è impossivel ser tudo fàcil e lindo sempre neh, e nem teria muita graça hehehe. mas è bem verdade que quando è hora de ir embora ou partir pra outra è quando jà està tudo bom. no fundo a culpa è toda nossa. è que a gente nào consegue nào ter desafio. hehehe
TUDO de bom em 2009!!!
Paulinha (italianita)