miércoles, 1 de octubre de 2008

Insônia



São dez pras seis da manhã. Ainda não dormi. E hoje vou escrever em português. Há pouco chorei e o Viti me abraçou gostoso. Não consigo imaginar o que seria de mim sem o ombro dele. Tudo é maravilhoso, as pessoas são lindas e parecem interessantes, as construções chamam minha atenção, as lojas estão cheias de coisas trocáveis por euros, as papas bravas me alegram e a diversidade de povos me deixa curiosa e fascinada.

Mas a confusão interna permanece. Floripa e o apê, o Guri, meus pais, o filé da Regininha, a Célula, a Lagoa, os temakis, tudo isso parece o meu mundo. Até Porto Alegre parece ter um chão. Minhas agendas contam minha história, as listas de livros e filmes indicam o que fiz. Tudo sob controle, tudo certo, tudo ali.

E de uma hora pra outra, nada disso parece real. Eu não estou mais dirigindo meu carro, com o pneu que eu revisei, nas estradas que conheço.

Agora não tenho carro, é muito parecido com um avião, que tanto medo me dá. (Tu me entende, né, papsi?).

E isso me faz pensar na necessidade de controle que sempre tive. E que, obviamente, é ilusória. E se um caminhão viesse na minha direção numa rua sem acostamento?
Ok, tá um post muito sem pé nem cabeça. Mas é só pra contar que me sinto muito, muito, absurdamente feliz de ter coragem e mudar meu mundo, mas ainda assim, os medos são milhares: e se o prédio pegar fogo? E se eu não conseguir emprego? E se eu não gostar daqui? E se eu gostar demais? E se acontece algo com quem eu amo lá no Brasil? E se eu não aprender a falar espanhol? E catalão? E se o meu curso não tiver nada a ver? E se for tudo de bom? E se eu for feliz?!?!?!?! Que meeeeedo!!!

Esses dias eu e o Viti falamos sobre tudo isso. Sabe aquele papo existencialista de que se uma árvore cai no meio da Amazônia e ninguém vê, ela de fato não caiu? Bom, então se eu não to no Brasil, será que ele ainda tá lá? Será que eu to aqui? Ai, que besteirada! Dá até vergonha! Mas é isso, a cabeça anda a mil. E é normal olhar no relógio e ver 6 da manhã e eu estar acordadíssima. Assim como também é normal acordar no fim da tarde e notar que mais um dia se passou e a gente não viu o sol direito. Mas isso já era normal em Floripa... Bom, pelo menos uma coisa tá igual.

2 comentarios:

Marina Bortoluzzi dijo...

Guapa!
Vim espiar a trajetória linda de vocês :)
Adoro papos existencialistas e os tenhos diversas vezes por semana, que canseira! Hehehe.
É super natural as dúvidas, as incertezas e os medos.
Mas diria minha sábia mãe: "medo é um sentimento inferior que devemos combater", bonita ela, não?!
Então é isso mesmo. Vive tudo intensamente aí, que sempre será o melhor momento ou o momento que tem que ser, que está sendo!
Muitas energias positivas e mto amor.
Beijão pro casal, Mah.

garoto_lhama o lado negro da lhama dijo...

hehe, vc escreveu esta em portugues... coragem, coragem.. nessas horas é bom comer um pouco de chocolate (alguma marca nova e desconhecida) é pra aprender a gostar do lado bom das novidades