lunes, 2 de marzo de 2009

Sammlung Boros




1942 - Cinco mil pessoas entulhadas dentro de um prédio com pé-direito baixíssimo, as bombas rolando lá fora, a tubulação de ar filtrando fumaças e eventuais substâncias tóxicas que possam ser atiradas sobre a cidade. O chão treme, mas as paredes têm cerca de um metro de espessura, e a estrutura tá longe de ser abalada. O contrário se pode dizer das pessoas, que não escondem o medo. Nas vizinhanças estão suas casas, grandes ou pequenas, luxuosas ou simples. As geladeiras estão vazias. Ou sumiram nos escombros.

1949 - A RDA, Alemanha Oriental, encontra um ótimo local pra estocar roupas.

1995 - Todos estão embalados por música eletrônica. Um vomita no banheiro, dois caras se beijam numa escada, uma mina sobe numa mesa e deixa aparecer a calcinha preta. O som bomba. Um junkie procura desesperadamente o traficante de heroína. Um casal briga no meio da pista. Uma menina linda conversa animada com o cara interessante que acabou de conhecer, e tem certeza que ele é o homem da sua vida.

Hoje - Um grupo entra numa construção cinza, uma espécie de caixa-forte, onde fica uma galeria de arte. O guia fala em inglês e está estreando na função. Fala baixinho (a ponto de alguns saírem sem entender quase nada), e mostra as obras de arte contemporâneas mais bizarras da coleção particular de um milionário, hoje o dono do antigo bunker. Todos são convidados a passar por um labirinto preto, por salas com ótimos efeitos de luzes, placas com logos conhecidos sem o nome da marca. Mas o que mais impressiona é a história do lugar. A parede externa, absurdamente grossa, que pode ser vista num ambiente. Os tubos da antiga ventilação, o teto tão baixo que chega a ser claustrofóbico, as três portas que se deve atravessar até estar do lado de dentro.

Quem vem pra Berlin não pode fugir desse bunker: http://www.sammlung-boros.de


1 comentario:

Alícia dijo...

Fiquei impressionada com as histórias!